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O que leva as crianças a participarem cada vez mais das redes sociais?

Como toda busca, a frequente procura pelas redes sociais por parte de
crianças pode revelar uma falta. Suas falas, comportamentos e atitudes, demonstram
que a infância de hoje é tutelada por vários referenciais sociais, todavia, muitas vezes
negligenciada pelos pais e responsáveis. O desamparo presente, tem feito os
“pequenos” se refugiarem em um espaço em que possuem vez e voz, e ainda, podem
ser percebidos e notados, seja pela notificação de um novo amigo ou um convite para
jogos virtuais.

As redes sociais despontam na sociedade atual, como produtora de novas
experiências de convívio e de expressão. A criança como indivíduo, não deve ser
entendida como “apartada” dos adultos; seu desejo, é o de estar inserida numa
cultura, buscando participar ativamente dela – elas querem estar onde as pessoas
estão.

A cibercultura ou cultura em rede, é o lugar onde se inauguram novos modos
de construção de subjetividade, caracterizando um “novo jeito” de ser criança. Esse
lugar social passa a comunicar um conteúdo que antes era inédito, oportunizando que
a criança seja emissora de uma fala calcada em suas ideias e livre de alguns interditos
morais interpostos pelos adultos.

As crianças inseridas nas redes sociais, estão em contato com um mundo de
estímulos e informações. Nela, são convidadas a expressarem opiniões, compartilhar
seus gostos pessoais e dialogar em bate-papos online. Estar nas redes, pressupõe o
contato com alguém, seja familiar ou não. O uso periódico das redes, demonstram que
o “estar na rede” é uma necessidade de “estar com”, o de pertencer à um grupo, seja
de jogos digitais ou de um canal de vídeos. Os aparatos tecnológicos como vídeo
games, smartphones, tablets e computadores, vão se tornando as novas brincadeiras
desta geração. Essas, se não realizadas de forma equilibrada, podem culminar em
processos de dependência virtual.

Ressalta-se que, ao mesmo tempo, a utilização das redes sociais, parece
agradar alguns pais ou responsáveis, que preferem “liberar” o acesso precoce à web
julgando ser mais seguro e controlável, em detrimento de atividades fora de casa. Em
contrapartida, as redes sociais e as webs estão longe de ser o ambiente mais seguro
para crianças e adolescentes. O acesso ilimitado e desprendido de censura na
internet, podem evidenciar um conjunto de riscos aos que possuem pouco ou quase
nenhuma orientação para estarem conectados.

A erotização infantil, o possível contato com pessoas mal-intencionadas, a
exposição de imagens e de conteúdos pessoais, a publicidade infantil e outros,
levaram o Facebook a criar uma política de privacidade que estabelece uma idade
mínima de 13 anos para cadastro e acesso a sua plataforma digital. O que ocorre, é
que na maioria das vezes, as crianças em consentimento com os pais, mentem suas
idades para usufruir das redes o quanto antes. Os pais, em acordo com os filhos,
estabelecem um tempo ou ainda prometem monitorá-los periodicamente no uso,
porém, na maioria dos casos, isso não acontece, trazendo como consequência o
acesso livre e desprovido de orientação.

Embora cada família tenha uma dinâmica de funcionamento próprio, o respeito
à política de privacidade continua sendo a primeira alternativa recomendada. Uma vez
atingida a idade mínima ao acesso, faz-se necessário que os pais conheçam a
configuração e a dinâmica das redes, para que possam introduzir seus filhos no
mundo virtual.

Uma opção bastante indicada, é a criação de uma rede social compartilhada,
onde pais ou responsáveis podem dialogar e acompanhar online o acesso dos filhos.
Nisto, reside a importância que os pais assumam seu lugar enquanto responsáveis no
que se refere à proteção e filtragem daquilo que é produzido diariamente nas redes
sociais e na web de modo geral.

Não apenas isso, o ideal é que pais e filhos possuam laços afetivos
consistentes e estreitados, fundados no diálogo e na disciplina, para que favoreçam o
desenvolvimento psicossocial da criança e lhe proporcione em breve, certa autonomia
para criticamente efetivar o uso consciente e coerente das redes sociais.

Erik Natan
Graduando em Psicologia – FAFIRE
ASSISTA – Assessoria e Assistência Terapêutica
Av. Presidente Kennedy, nº 5580, Candeias – Jaboatão dos Guararapes/PE
(81) 3241-3141 / 3426-6330.

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