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Relacionamentos

“O que a maioria de nós leva para o relacionamento não é a plenitude, mas a carência. A carência implica uma ausência dentro de si… A carência é uma força poderosa, capaz de criar ilusões poderosas. Ninguém pode realmente entrar em você e substituir a peça que está faltando.” (Deepak Chopra)

Talvez a primeira questão a se pensar quando estamos num relacionamento é: “O que eu espero que essa pessoa me dê em troca?” Vamos lá, se você pensar direitinho, será que nunca passou pela sua cabeça: “poxa, eu faço tudo por ele/ela e não recebo o mesmo em troca”. Se não dessa forma, com certeza já pensou que seu/sua parceiro(a) poderia “fazer mais” por você. Se esse é o seu pensamento, também é o de muita gente. Contudo, é válido refletir que existem em torno de 7 bilhões de pessoas no mundo e TODAS são DIFERENTES. Nesse sentido, posso te dizer que aquilo que te define como pessoa pode ser o principal obstáculo para um relacionamento saudável. Como assim? Somos atravessados pela nossa carga genética e nossa cultura (ambiente), isso nos faz seres singulares, que almejam questões diferentes. Quando estamos em um relacionamento é inevitável que essas diferenças apareçam, e daí, surgir alguns conflitos é questão de tempo.

Diante de um quadro de conflitos, torna-se válido entender que cada um defenderá o seu ponto de vista. Nunca é demais frisar que partimos do pressuposto que os relacionamentos são compostos por pessoas com culturas familiares diferentes, que carregam intrinsicamente valores diferentes, que podem gerar formas diferentes de se comportar e avaliar o mundo. Assim, ao entrar num relacionamento é preciso entender que você criará expectativas que por vezes não serão correspondidas. Já diz o ditado popular “Quanto mais alto, maior a queda”, ou seja, o tamanho da nossa frustração pode estar inteiramente ligado ao tamanho de nossa expectativa. Lógico que não estou dizendo que você terá que entrar num relacionamento sem esperar NADA do seu/sua parceiro(a). Você vai criar sim suas expectativas, mas é preciso que consiga mediá-las, entendendo que o OUTRO terá suas “limitações” no que se refere a satisfazer seus desejos. Pensar assim poderá ajudar a gerir melhor sentimentos como raiva, frustração, angústias e minimizar a possibilidade de construção de um ciclo negativo de discussões, que na maioria dos casos é o alimento de uma separação.

 

Você já notou que muitas vezes as discussões parecem iniciar sem uma razão significativa, simplesmente parecendo uma eterna luta de quem está certo e quem está errado? E se eu te disser que o conceito de certo e errado pode ser “relativo”. Que devido a construção de personalidade de cada um, o certo para um poderá ser o errado para o outro e virce-versa…  Pois é. Provavelmente já lhe aconteceu ter um período muito bom com o(a) seu/sua parceiro(a), mas um fato novo que venha acontecer desencadeia uma série de conflitos. Podemos nos perguntar: qual o motivo disso? Pois bem, no cerne da maioria dos casais que discutem com facilidade está uma questão que chamo de “hiato na comunicação”.

Na maioria dos casos, as pessoas não conseguem conversar com o(a) parceiro(a) sobre o que está incomodando. Não há diálogo. O fato de você falar com o outro não quer dizer que a comunicação foi bem estabelecida, pois para todo emissor é necessário um receptor. Você já se questionou se no seu relacionamento a mensagem chega com “qualidade”, se o que é passado é verdadeiramente entendido? Pois é, nem sempre isso acontece e daí podem surgir os conflitos.

O fato da comunicação não estar bem estabelecida pode dar margem para um acúmulo de insatisfações. Seria como um copo, que de tanto receber “pingos”, um dia vai transbordar… E se esse copo não for esvaziado por completo, rapidamente voltará a ficar cheio e transbordará novamente… Assim, tenha certeza, muitas vezes na etiologia dos problemas das relações está uma comunicação falha.

Diante do exposto, torna-se necessário que você faça uma avaliação de como se estabelece a comunicação no seu relacionamento. Também é imprescindível que você observe alguns detalhes, principalmente com relação a você mesmo. Não é incomum um dos membros (ou os dois) do relacionamento ter algumas atitudes que não ajudam, são elas: “Fazer birra” (comportamento natural em crianças); Se fazer de vítima; Perder o controle da voz (gritos em vez de diálogo); Entrar em modo de “defesa” (não há argumentação que possa desarmar a forma de pensar); Fuga (interrupção da comunicação), dentre outros. Comportamentos como esses podem piorar qualquer “prognóstico” de uma resolução saudável dos conflitos no relacionamento.

Um outro comportamento que você precisa estar atento é de não colocar um significado “alternativo” ao que seu/sua parceiro(a) expressa. Principalmente quando você está tomado(a) por sentimentos como raiva, culpa, frustração, angústia, entre outros, é natural a tendência de se colocar significados “ruins” ao que o outro fala ou faz.  Na verdade, na maioria das vezes, você encontra um significado que te convém, que serve para legitimar o que você está sentindo, não sendo condizente com “o verdadeiro” significado das palavras ou ações transmitidas pelo outro.

Ok, realizado o “diagnóstico” do que não anda tão bem na sua forma de agir diante dos conflitos, bem como na comunicação estabelecida no seu relacionamento, é hora de refletir sobre os processos de mudança. Lembre-se que um relacionamento é composto por duas pessoas e ações unilaterais tendem ao insucesso. A forma como se aborda os assuntos, principalmente aqueles mais “delicados” dos quais se tem receio de falar, será a ferramenta mais eficaz para um bom diálogo. Quem nunca passou por uma DR (discutir a relação) pode sentir calafrios apenas de ouvir essas palavras, todavia, discutir a relação nem sempre é algo tão horrível. Ser empático nesse momento é essencial. Se coloque no lugar do outro, tente observar o mesmo fenômeno sob a ótica do seu/sua parceiro(a), analise se naquele momento ele/ela tem condições de te dar uma resposta diferente. Caso sinta que a comunicação não está fluindo, sugira uma pausa, mas não esqueça de retomar o assunto mais à frente, quando os ânimos estiverem mais calmos. Favoreça um tempo para você e para a outra pessoa refletir no que é melhor para os dois (melhor para o casal).

Em suma, o que você tentará fazer é uma mediação interna entre o que sente e o que pensa sobre você mesmo, sem esquecer de como é “afetado(a)” (de forma positiva e/ou negativa) pelo seu/sua parceiro(a). Se você estiver bem consigo mesmo poderá obter mais ferramentas para lidar com prováveis conflitos de seu relacionamento, então se autoquestione e faça uma autorreflexão do que pode ser realizado por você, antes de apontar o dedo para o outro. Estando seguro(a) de si, é o momento de tentar estabelecer um diálogo com seu/sua parceiro(a) e de forma tranquila abordar o que pode melhorar no relacionamento.

Muitos relacionamentos podem chegar ao fim, mas uma coisa é certa, muitos podem ser “salvos”, ao passo que haja engajamento suficiente para um entendimento que ambos os lados terão que ceder, uns mais, outros menos, o ideal que seja de forma equilibrada. Se relacionar é saber manter um equilíbrio entre o “se impor” e o “abrir mão”, é amar o(a) parceiro(a) sem deixar de ter o amor próprio, é sentir-se feliz proporcionando a felicidade. Pense nisso. No caso de maiores dificuldades, procure ajuda de um profissional.

Paulo de Tarso Melo
Psicólogo – CRP: 02/13928
Mestre e Doutorando em Psicologia Clínica – Unicap
ASSISTA – Assessoria e Assistência Terapêutica 
Diretor Clínico – 81.3241.3141 / 3426.6330

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