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Ansiedade

“Precisamos ser pacientes, mas não ao ponto de perder o desejo; devemos ser ansiosos, mas não ao ponto de não sabermos esperar”. (Max Lucado)

Saber lidar com os problemas e preocupações do dia-dia é algo que almejamos, mas nem sempre temos êxito em realizar tal ação. Nesse contexto, a ansiedade vem se tornando como uma “vilã”, pois viver no mundo moderno sem estar ansioso soa como algo utópico. A ansiedade vem adquirindo o estigma de atrapalhar como lidamos com nosso trabalho e com as relações pessoais. Se você não consegue ter concentração numa prova, “dá um branco na hora de responder as questões”, não consegue falar sobre o que sabe numa seleção de emprego, dentre outras situações, é muito comum atribuir esses comportamentos a ansiedade, e pensar assim faz sentido. O tempo todo ouvimos a palavra ansiedade. Ela já faz parte do nosso vocabulário cotidiano, mas será que já paramos para pensar qual o sentido que damos para essa questão? Sentir-se ansioso(a) seria sinônimo de estar doente? Veremos mais à frente…

Não é por acaso que ligamos “ansiedade” ao “medo”, esses sentimentos fazem parte do nosso sistema desde os primórdios da espécie humana. Sentir ansiedade e medo, nos mantém vivos. Podemos pensar, imagine você como era a vida de nossos antepassados… O medo dos bichos, de uma tempestade, de que algo ameaçasse a sobrevivência… Assim, quem tinha sua dose de ansiedade pôde se preparar melhor para os possíveis perigos que o fato de estar vivo proporciona. Ok, hoje os perigos são outros, mas não seria tolice dizer que também podem ser encarados como predadores vorazes à solta, tais quais eram as ameaças em séculos longínquos. Deste modo, a ansiedade sempre foi uma questão contemporânea, isso se levarmos em consideração que o ser humano sempre viveu na contemporaneidade de sua época.

É valido refletir sobre as nuances entre o medo e ansiedade, apesar desses sentimentos se entrelaçarem. Ambos surgem no mesmo sistema do nosso corpo, o límbico, e estão localizados nas mesmas regiões do cérebro que fazem parte do nosso “mecanismo de defesa”, que analisa o mundo à procura de ameaças, registram os perigos e também armazenam novos riscos para o futuro. De forma resumida, podemos dar o exemplo: Quem vivencia um estado ansioso pode recorrentemente temer “um assalto”, fazendo com que você preste atenção em tudo e em todos no meio da rua, todavia, caso o assalto aconteça,” no momento”, a pessoa simplesmente sente medo. As duas sensações muitas vezes podem ser diferenciadas pela distância que o perigo se encontra. Em linhas gerais, no medo, a ameaça está próxima e por vezes é mais fácil (ou menos difícil) de identificar o “motivo/objeto” do qual se tem medo. Já na ansiedade o motivo de preocupação está no futuro e por vezes é mais difícil de se atribuir um “motivo real”.

Devemos entender ansiedade como um fenômeno que pode nos fazer bem ou mal, isso vai depender das circunstâncias, da frequência, intensidade e o modo como lidamos com ela. Todos nós somos ansiosos em determinado momento da vida sem que isso seja um fator patológico. A ansiedade nos estimula a entrar em ação. O mecanismo do “medo” atuante na ansiedade é a chave (ON/OFF) que ativa no sentido de “correr/fugir ou lutar”, assim, o corpo todo se prepara para isso, fato que explica os sinais: Taquicardia, sudorese, tremores, respiração ofegante etc. Nesse sentido, pode ficar tranquilo(a) que nenhum de nós ficará imune de sentir ansiedade, porém o que precisamos prestar a atenção é quando ela “sai do controle” e começa atrapalhar a nossa vida.

Um fato que pode te ajudar a saber quando a ansiedade começa a influenciar negativamente nas suas atividades diárias é prestar atenção para as ditas “questões positivas da vida”. Quando pensar acerca dos nossos relacionamentos, do dinheiro, do sexo, do lazer e tempo livre, se tornam motivo de preocupação, é sinal de que algo está errado. Uma característica muito presente em pessoas “ansiosas” é a catastrofização na forma de pensar e interpretar os fatos em sua volta. Quem é muito ansioso(a) tende a achar que as coisas “darão errado” com muita frequência. A tendência é: “se existe uma situação em que o risco de alguma coisa dar errado é mínimo, quem é “ansioso(a)”, tende a se apegar exclusivamente nessa possibilidade, sem levar em consideração as outras opções mais evidentes, em que tudo pode dar certo. Assim, há uma tendência de catastrofizar a avaliação do evento, e isso por consequência traz muita angústia.

Acredito que todos tenham consciência que quando começamos a desenvolver sinais de uma ansiedade exacerbada, isso começa a se estabelecer como um quadro de problemas psicológicos que precisam ser olhados com mais atenção. Você pode sentir-se ansioso(a) a maior parte do tempo sem nenhuma razão aparente ou pode ter ansiedade apenas às vezes, mas tão intensamente que pensar em realizar questões simples como viajar ou ir ao trabalho, tornam-se coisas muito difíceis. Na maioria dos casos o sentimento de ansiedade exacerbada se traduz por uma insegurança/medo, porém sem um fundamento real. Suas “versões disfuncionais” podem ter denominações como: Síndrome do pânico, Fobias, Estresse pós-traumático, Ansiedade generalizada, dentre outros.

O que posso dizer é que dá para conviver com a ansiedade pacificamente, já que não será possível simplesmente excluí-la de sua vida. É preciso reconhecer que nem tudo precisa ser motivo de preocupação o tempo todo. É importante pensar que em algum momento da vida você não terá o controle das situações, e isso é “normal”. Não existe quem nunca tenha sofrido com a ansiedade, mas algumas pessoas lidam melhor do que outras e para isso é preciso que você conheça como sua ansiedade se manifesta, para depois estudar uma melhor forma de lidar com ela. Frequentemente, simples mudanças na forma de pensar e se comportar, podem minimizar as sensações desagradáveis provocadas pela ansiedade. Reflita, analise e se for possível, reconsidere algumas questões do seu modo de vida e pense : “há inúmeras possibilidades de interpretar o mesmo evento”. Flexibilize sua forma de pensar, tente enxergar as possibilidades alternativas. Infelizmente ou felizmente, não existe mágica que faça a ansiedade diminuir, porém, você se sentirá cada vez mais seguro(a) quando aprender a lidar com ela. Construa suas estratégias, procure pensar de forma positiva e enfrente suas dificuldades. Avante! Caso ache necessário, procure ajuda de um profissional.

Paulo de Tarso Melo
Psicólogo – CRP: 02/13928
Mestre e Doutorando em Psicologia Clínica – Unicap
ASSISTA – Assessoria e Assistência Terapêutica 
Diretor Clínico – 81.3241.3141 / 3426.6330

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