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Insegurança

(Essa leitura pode ser realizada em torno de 5 minutos)

“Não tenha medo de pensar diferente dos outros, tenha medo e pensar igual e descobrir que todos estão errados” (Eça de Queiroz).

Ao lermos essa frase, podemos nos perguntar: O que seria estar certo ou errado? Sem dúvidas a resposta para essa pergunta estará intimamente ligada à estrutura de como você percebe e interpreta o mundo a sua volta. O que é certo para mim, pode ser errado para você não é mesmo? Então, como lidar com essa nossa necessidade de sermos aceitos (em nossa plenitude) ao ponto de irmos cotidianamente pela “cabeça” dos outros? Será mesmo que a forma como penso só estará correta se os outros validarem? Esses são questionamentos que muitas pessoas se fazem ao perceberem que são tão inseguras, que suas vidas precisam ser guiadas por outras pessoas, e tal sentimento, não só pode gerar vários desconfortos, como pode inviabilizar muitas realizações.

Essa introdução serve para iniciarmos nossa reflexão no texto que escrevo hoje. Então, se você já se sentiu assim, com dificuldades de realizar o que realmente deseja por sua falta de confiança, nosso tema de hoje poderá te ajudar:

O que faço com minha insegurança?

Inicialmente é válido frisar que as bases para os meus artigos partem da premissa que: “Não são os fatos em si que perturbam o ser humano, mas a interpretação que ele faz dos fatos” (Epictetus, Sec. I). Assim, ao tentarmos mudar a forma como pensamos e interpretamos os fatos, possivelmente teremos outra resposta para os eventos que nos cercam.

A insegurança pode te trazer uma série de situações, e elas podem culminar em sentimentos de angústia e/ou em pensamentos negativos. Você pode, por exemplo, “travar” quando tem que tomar uma decisão, ou mesmo quando encontra uma situação em que precisará definir qual a melhor escolha a seguir, acredita que está sendo julgado(a) a ou criticado(a), mesmo quando não há evidencias “reais” de que isso está acontecendo.  Também não é raro que a insegurança te leve a não se considerar merecedor(a) de ser feliz ou alcançar suas metas e sonhos. Outro aspecto muito comum em pessoas que se sentem inseguras é o fato de terem a necessidade de depender de outras pessoas para quase tudo na vida, dando um valor excessivo a opinião alheia, que mesmo sem que você perceba, influencia e direciona suas as ações. Deste modo, nota-se que sentir-se inseguro(a) te trará uma real dificuldade de construir uma autonomia muitas vezes necessária para seu equilíbrio emocional. A timidez pode ser uma característica quase intrínseca a essa maneira de sentir-se, mas de timidez falaremos em outro texto.

Ok. Você se identificou com o que foi escrito ou mesmo conhece pessoas do seu convívio que se encaixam nessas características, então, o que fazer?

As pessoas que “funcionam” dessa forma tendem a supervalorizar os seus pontos negativos, cultivando uma maneira de pensar e interpretar o mundo de forma a “negligenciar” suas qualidades e suas potencialidades. Assim, procure mudar o foco, tente fazer uma autorreflexão e achar pontos positivos, aquilo que outras pessoas poderiam valorizar em você. Na maioria dos casos, quem se sente inseguro(a) tem dificuldades em achar essas qualidades. Mas, com certeza, todos nós possuímos qualidades que podem ser admiradas. Um exemplo que pode facilitar esse exercício é:

Se você fosse um produto, que está à venda, e você, além de produto é também seu próprio vendedor, quais características você atribuiria a esse produto para que ele vendesse bem? Quando conseguir reunir essas características, é possível que passe no seu pensamento aquelas características “não tão boas”, não as descarte. Você também pode considerar que é possível o aprimoramento ou mesmo uma modificação dessas questões. Lembre-se que somos capazes de guiar nossa vida, pois diferente de outros animais, somos seres inteligentes e adaptativos.

– Procure ao máximo conhecer a si mesmo. Com a “correria” do dia-dia, reservamos pouco tempo para pensar em nossa vida e como estamos usufruindo dela. Saber como funcionamos perante o mundo é essencial para promover possíveis mudanças. Se questione: por que estou agindo assim? Será que existe outra forma de me posicionar diante das questões de minha vida? O exercício do “autoquestionamento” pode fazer você perceber que é possível olhar para o fato em si de maneiras distintas, que culminam também em resultados distintos.

– Mudanças em nossas vidas podem trazer um desconforto inicial, porém, muitas vezes elas são necessárias. Faça uma análise se alguma área de sua vida precisa de mais atenção. Se a resposta for sim, liste as ações que podem te ajudar a efetuar as mudanças que te trarão uma melhor qualidade de vida.

– Dê valor às pessoas que você considera que te fazem bem. Procure conversar mais, solicite um retorno sobre como elas te enxergam, esse “olhar de fora” pode te ajudar a entender melhor como você funciona perante a vida e suas relações.

– Não deixe para se preocupar com os conflitos/problemas de sua vida quando eles já estiverem fora de controle. A vida não é um mar de rosas, mas também não a transforme num escorrego de espinhos. Agir de forma preventiva te trará mais saúde e te fará passar pelos conflitos/problemas de uma maneira menos danosa. Se achar necessário busque ajuda de um profissional. Cuidar da saúde não é apenas acabar com os sintomas, mas sim aflorar suas potencialidades para que você torne-se mais “forte” para lidar com as questões que te cercam.

Paulo de Tarso Melo
Psicólogo – CRP: 02/13928
Mestre e Doutorando em Psicologia Clínica – Unicap
ASSISTA – Assessoria e Assistência Terapêutica 
Diretor Clínico – 81.3241.3141 / 3426.6330

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